NIC 1, 2 e 3: o que significam os graus de lesão

NIC significa neoplasia intraepitelial cervical — uma lesão pré-cancerígena no colo do útero, causada por HPV persistente. Os números (1, 2 e 3) indicam o grau de comprometimento do tecido, não a presença de câncer: quanto maior o número, maior a atenção médica necessária, mas nenhum dos três graus é, por si só, um diagnóstico de câncer.

Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.

Como os graus se diferenciam

GrauO que significaConduta geral
NIC 1 (baixo grau)Alteração restrita ao terço inferior (mais profundo) do epitélioAcompanhamento — repetir Papanicolau em 6 meses, 60-70% regride sozinha em até 2 anos
NIC 2 (alto grau)Comprometimento de até dois terços da espessura do epitélioConfirmação por biópsia; geralmente tratada
NIC 3 (alto grau)Comprometimento de mais de dois terços, até quase toda a espessuraTratamento ativo — remoção da área alterada

A displasia começa na camada basal (a mais profunda do epitélio) e avança em direção à superfície — quanto maior a proporção da espessura comprometida, mais alto o grau. A classificação é feita a partir da biópsia guiada por colposcopia, depois de um resultado alterado no Papanicolau — não é possível diagnosticar o grau exato de uma NIC apenas pelo exame preventivo.

Graus de NIC pela proporção do epitélio comprometida O epitélio do colo do útero é representado como uma faixa vertical. Na NIC 1, a alteração ocupa o terço inferior (mais profundo). Na NIC 2, cerca de dois terços. Na NIC 3, quase toda a espessura, da camada basal quase até a superfície. NIC 1 terço inferior NIC 2 até dois terços NIC 3 quase toda a espessura superfície base baixo grau alto grau alto grau
A área colorida representa a parte do epitélio com alterações celulares: quanto mais alto o grau, maior a proporção comprometida, sempre a partir da camada basal.

Por que o grau de NIC importa tanto?

O risco de uma lesão evoluir para câncer de colo do útero se não for tratada aumenta com o grau: NIC 1 tem alta chance de regressão espontânea, enquanto NIC 2 e 3 têm maior probabilidade de persistir e progredir se deixadas sem tratamento. Por isso a estratégia médica muda: observar no grau 1, agir nos graus 2 e 3.

Como é feito o tratamento de NIC 2 e 3?

Os procedimentos mais usados são a CAF (cirurgia de alta frequência) e a LEEP (excisão da zona de transformação por alça), que removem a área do colo do útero onde está a lesão. São procedimentos ambulatoriais, com boa taxa de resolução, especialmente quando a lesão é identificada e tratada a tempo.

O que fazer depois do tratamento de NIC?

Mesmo depois do tratamento de uma NIC de alto grau, o acompanhamento continua necessário. São Papanicolau e, eventualmente, colposcopia em intervalos definidos pelo médico, para confirmar que não houve persistência nem recidiva da lesão.

Dr. Luiz Teixeira da Silva Júnior, patologista clínico, de jaleco branco

Sobre o autor: é patologista clínico (CRM 276039/SP), graduado em Ciências Biomédicas, com pós-graduação em Captação, Doação e Transplante de Órgãos pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É autor do livro Saúde da Mulher, guia sobre HPV baseado em fontes científicas como BIREME, LILACS e SciELO.

Este artigo é um resumo. O livro Saúde da Mulher aprofunda cada um desses temas em linguagem acessível.

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Perguntas frequentes

NIC é a mesma coisa que câncer?

Não. NIC (neoplasia intraepitelial cervical) é uma lesão pré-cancerígena, ou seja, uma alteração celular que pode ou não evoluir para câncer se não for identificada e acompanhada. Não é câncer em si.

NIC 1 precisa de tratamento?

Geralmente não. NIC 1 tem alta taxa de regressão espontânea (60-70% em até 2 anos) e costuma ser apenas acompanhada com repetição do Papanicolau em 6 meses, sem necessidade de procedimento.

Qual a diferença entre NIC 2 e NIC 3?

Ambas são consideradas lesões de alto grau e geralmente recebem conduta semelhante — remoção da área alterada. A diferença está na proporção da espessura do tecido do colo do útero comprometida: NIC 3 compromete uma camada mais espessa que NIC 2, o que indica maior risco se não tratada.

Toda NIC 2 ou 3 vira câncer se não tratada?

Não necessariamente, mas o risco de progressão é significativamente maior do que em NIC 1, e por isso a conduta padrão é tratar ativamente — remover a lesão antes que ela tenha chance de evoluir.

Referências

  1. Ministério da Saúde — Prevenção ao câncer do colo do útero, classificação e condutas por grau de NIC. bvsms.saude.gov.br
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Dados e números sobre câncer do colo do útero. inca.gov.br
  3. Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.

Última revisão de conteúdo: 17/07/2026.