Papanicolau alterado: o que fazer

Receber um resultado alterado no Papanicolau costuma causar susto, mas não é sinônimo de câncer. Na maioria das vezes, indica uma alteração celular de baixo grau que o próprio corpo resolve sozinho. O exame existe justamente para detectar essas mudanças cedo, quando o tratamento é mais simples e eficaz.

Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.

O que o resultado do Papanicolau costuma indicar

SiglaO que significaConduta geral
ASC-USAlteração de significado indeterminadoRepetir exame ou investigar HPV
LSILLesão intraepitelial de baixo grau (associada a NIC 1)Repetir Papanicolau em 6 meses
HSILLesão intraepitelial de alto grau (associada a NIC 2/3)Colposcopia com biópsia

A orientação exata varia conforme a idade da paciente, o histórico de exames anteriores e o protocolo do serviço de saúde. Por isso o resultado deve sempre ser interpretado junto com o médico que solicitou o exame, e nunca isoladamente.

Por que a maioria dos casos não é motivo de pânico

Estudos mostram que entre 60% e 70% das lesões classificadas como LSIL/NIC 1 regridem espontaneamente em até dois anos, à medida que o sistema imunológico elimina o HPV responsável pela alteração. Por isso a conduta inicial para esses casos costuma ser apenas o acompanhamento, sem necessidade de procedimento invasivo.

Quando o exame pede investigação mais profunda

Resultados de alto grau (HSIL, geralmente associados a NIC 2 ou NIC 3) têm menor chance de regressão espontânea e costumam exigir confirmação por colposcopia com biópsia. Se confirmada a lesão de alto grau, o tratamento (como CAF ou LEEP) tem altas taxas de sucesso, especialmente quando feito a tempo.

O que fazer depois de um Papanicolau alterado?

  1. Leve o resultado ao médico que solicitou o exame — a interpretação depende do seu histórico.
  2. Não interrompa o acompanhamento mesmo se o resultado for "só" de baixo grau.
  3. Evite pesquisar o resultado isoladamente na internet e tirar conclusões antes da consulta.
  4. Se for indicada colposcopia, saiba que é um exame indolor — veja nosso artigo dedicado ao tema.
  5. Se a colposcopia indicar biópsia, ela confirma o grau exato da lesão antes de decidir o tratamento.
Dr. Luiz Teixeira da Silva Júnior, patologista clínico, de jaleco branco

Sobre o autor: é patologista clínico (CRM 276039/SP), graduado em Ciências Biomédicas, com pós-graduação em Captação, Doação e Transplante de Órgãos pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É autor do livro Saúde da Mulher, guia sobre HPV baseado em fontes científicas como BIREME, LILACS e SciELO.

Este artigo é um resumo. O livro Saúde da Mulher aprofunda cada um desses temas em linguagem acessível.

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Perguntas frequentes

Papanicolau alterado significa câncer?

Não. Um resultado alterado indica alguma mudança celular que precisa de acompanhamento ou investigação adicional — na grande maioria das vezes não é câncer, e sim uma lesão de baixo grau que regride sozinha.

O que é ASC-US e LSIL?

São classificações de alterações celulares de baixo grau ou de significado indeterminado, geralmente associadas a NIC 1. Costumam ser acompanhadas com repetição do exame, sem necessidade imediata de procedimento.

Preciso repetir o exame ou fazer colposcopia?

Depende do grau da alteração e da orientação do médico que solicitou o exame: alterações de baixo grau costumam ser acompanhadas com repetição em 6 meses; alterações de alto grau (HSIL) geralmente exigem colposcopia com biópsia para confirmação.

Lesão de alto grau (HSIL) tem tratamento?

Sim. Lesões de alto grau (associadas a NIC 2 e 3) geralmente são tratadas com procedimentos para remover a área alterada, como CAF ou LEEP, com altas taxas de resolução quando identificadas e tratadas a tempo.

Referências

  1. Ministério da Saúde — Prevenção ao câncer do colo do útero, condutas frente a resultados alterados. bvsms.saude.gov.br
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Dados e números sobre câncer do colo do útero. inca.gov.br
  3. Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.

Última revisão de conteúdo: 17/07/2026.