Câncer de colo do útero: sintomas e prevenção

O câncer de colo do útero é, na prática, uma das formas de câncer mais evitáveis que existem: quase sempre é causado por uma infecção persistente por HPV, tem desenvolvimento lento, e conta com duas ferramentas de prevenção eficazes — a vacina e o rastreamento por Papanicolau.

Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.

17.010novos casos estimados por ano no Brasil (triênio 2023/2025) — INCA
tipo de câncer mais incidente entre mulheres no país
6.983mortes registradas em 2022, segundo o INCA

Como a doença se desenvolve

Quase todos os casos de câncer de colo do útero têm origem em uma infecção persistente por subtipos oncogênicos do HPV (como 16 e 18) que não foi eliminada pelo organismo. Antes de virar câncer, a progressão costuma passar por estágios intermediários: as lesões pré-cancerígenas, ou NIC. Esse processo normalmente leva anos. É esse tempo que permite ao rastreamento identificar e tratar a lesão antes que ela evolua.

Linha do tempo: da infecção por HPV ao câncer de colo do útero Após a infecção por HPV, em cerca de 90% dos casos o organismo elimina o vírus em até dois anos. Quando o vírus persiste, a lesão pode evoluir de NIC 1 (baixo grau) para NIC 2 e NIC 3 (alto grau) e, ao longo de anos, para o câncer. O rastreamento com Papanicolau e colposcopia detecta e trata a lesão na fase pré-cancerígena. Infecção por HPV NIC 1 baixo grau NIC 2 / NIC 3 alto grau Câncer de colo persiste progressão lenta, geralmente ao longo de anos ≈ 90% — o organismo elimina o vírus sozinho, em até 2 anos (não evolui) Rastreamento detecta e trata aqui Papanicolau + colposcopia (fase pré-cancerígena)
Da infecção ao câncer: na maioria das vezes o vírus é eliminado; quando persiste, a evolução é lenta e passa por fases pré-cancerígenas que o rastreamento consegue interceptar. Fontes: INCA e Ministério da Saúde.

Quais fatores aumentam o risco de câncer de colo do útero?

Nem toda infecção por HPV evolui para câncer — o que aumenta a probabilidade de progressão é a persistência de um subtipo de alto risco somada a fatores que dificultam a defesa do organismo:

  1. Infecção persistente por HPV de alto risco (principalmente 16 e 18)
  2. Tabagismo — reduz a capacidade do organismo de eliminar o vírus
  3. Imunossupressão (HIV/Aids, uso de imunossupressores, transplante)
  4. Não realizar o rastreamento periódico — deixa lesões evoluírem sem detecção
  5. Início precoce da vida sexual e maior exposição a subtipos oncogênicos ao longo da vida

Quais são os sintomas do câncer de colo do útero?

Nas fases iniciais, o câncer de colo do útero costuma não dar sintoma nenhum — por isso o diagnóstico precoce depende do exame preventivo, e não de sinais percebidos pela paciente. Em estágios mais avançados, os sinais mais comuns são sangramento vaginal fora do período menstrual, secreção anormal e dor abdominal:

  1. Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a relação sexual
  2. Secreção vaginal anormal
  3. Dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais

Como prevenir o câncer de colo do útero?

  1. Vacinação contra o HPV — gratuita pelo SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos, com resgate para 15-19 anos
  2. Exame Papanicolau — recomendado a cada 3 anos para mulheres de 25 a 64 anos, após dois exames anuais consecutivos com resultado normal
  3. Acompanhamento de resultados alterados — seguir a conduta médica quando o Papanicolau indicar alguma alteração

Duas estratégias se somam: vacina em quem ainda não teve exposição ao vírus e rastreamento contínuo em todas as mulheres na faixa etária recomendada. É essa combinação que torna esse câncer um dos mais evitáveis entre todos os tipos.

Como é diagnosticado e tratado o câncer de colo do útero?

O caminho diagnóstico começa pelo Papanicolau: quando ele vem alterado, a investigação segue com colposcopia e biópsia, que confirmam se há lesão e qual o seu grau (NIC 1, 2 ou 3) ou se já há câncer. Nas fases pré-cancerígenas, o tratamento costuma ser local (remoção da área alterada por CAF/LEEP), com altas taxas de cura.

Quando o câncer já está instalado, a conduta depende do estágio da doença e pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou combinadas — sempre definida por uma equipe especializada. Quanto mais precoce o diagnóstico, menos agressivo tende a ser o tratamento e maior a chance de cura, o que reforça, mais uma vez, o valor do rastreamento periódico.

Dr. Luiz Teixeira da Silva Júnior, patologista clínico, de jaleco branco

Sobre o autor: é patologista clínico (CRM 276039/SP), graduado em Ciências Biomédicas, com pós-graduação em Captação, Doação e Transplante de Órgãos pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É autor do livro Saúde da Mulher, guia sobre HPV baseado em fontes científicas como BIREME, LILACS e SciELO.

Este artigo é um resumo. O livro Saúde da Mulher aprofunda cada um desses temas em linguagem acessível.

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Perguntas frequentes

O câncer de colo do útero tem sintomas no início?

Na fase inicial, geralmente não. É uma doença de desenvolvimento lento, que costuma evoluir de forma silenciosa — por isso o rastreamento com Papanicolau é a principal forma de detecção precoce, antes que sintomas apareçam.

Quais são os sintomas em fase mais avançada?

Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e, em casos mais avançados, dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.

O câncer de colo do útero é evitável?

Em grande parte, sim. É considerado um dos cânceres mais evitáveis, combinando vacinação contra o HPV na infância/adolescência com rastreamento periódico por Papanicolau em mulheres de 25 a 64 anos.

Quantos casos de câncer de colo do útero há no Brasil por ano?

Segundo estimativas do INCA para o triênio 2023/2025, são esperados 17.010 novos casos por ano, tornando-o o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres, excluindo tumores de pele não melanoma.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Dados e números sobre câncer do colo do útero. inca.gov.br
  2. Instituto Oncoguia — Estatísticas de mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil. oncoguia.org.br
  3. Ministério da Saúde — Prevenção ao câncer do colo do útero. bvsms.saude.gov.br
  4. Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.

Última revisão de conteúdo: 17/07/2026.