HPV 16 e 18: por que esses subtipos exigem mais atenção

Dos mais de 200 subtipos conhecidos de HPV, apenas uma minoria é considerada de alto risco — e o 16 e o 18 são os mais associados ao câncer de colo do útero. Receber um resultado apontando um deles não é um diagnóstico de câncer: significa que o acompanhamento passa a ser mais próximo, porque é a persistência desses subtipos ao longo de anos que representa risco.

Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.

O que são subtipos de alto risco do HPV?

Os subtipos de HPV são divididos em dois grupos conforme o que costumam provocar. Os de baixo risco, como o 6 e o 11, causam verrugas genitais mas não estão associados ao câncer. Os de alto risco, ou oncogênicos, como o 16 e o 18, raramente causam verrugas — em compensação, são os que podem levar a lesões pré-cancerígenas quando a infecção persiste por muitos anos.

Os dois grupos de subtipos do HPV e o que cada um provoca
Baixo risco (ex.: 6 e 11)Alto risco (ex.: 16 e 18)
Costuma causarVerrugas genitais (condiloma)Alterações celulares, em geral sem sinal visível
Dá sintoma?Sim — a verruga é visívelQuase sempre não: só o rastreamento detecta
Associação com câncerNãoSim, quando a infecção persiste por anos
Como é detectadoExame clínico da lesãoPapanicolau e teste de HPV
Coberto pela vacina do SUSSimSim

Repare no ponto mais contraintuitivo da tabela: o subtipo que dá sintoma visível é justamente o menos perigoso. Os de alto risco costumam ser silenciosos — e é exatamente por isso que o rastreamento periódico vale mais do que esperar sentir algo.

Por que o HPV 16 e o 18 concentram o maior risco?

O 16 e o 18 são os subtipos oncogênicos mais frequentemente encontrados nos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo — estima-se que respondam por cerca de 70% deles. O HPV 16 é também o principal subtipo associado ao câncer de orofaringe, a região da garganta. Essa concentração é o motivo pelo qual esses dois subtipos são alvo prioritário da vacinação.

Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas: ter um subtipo de alto risco não é o mesmo que ter uma lesão. A infecção é o primeiro passo de um processo que, quando acontece, leva anos — e que o rastreamento periódico interrompe bem antes do fim.

Um resultado com HPV 16 ou 18 muda o acompanhamento?

Sim, normalmente muda. Quando o teste identifica especificamente o subtipo 16 ou o 18, muitos protocolos indicam encaminhar direto para a colposcopia, mesmo que o Papanicolau esteja normal. A lógica é simples: como são os subtipos de maior risco, vale olhar o colo do útero de perto em vez de apenas aguardar o próximo exame de rotina.

Para os demais subtipos de alto risco, a conduta costuma ser diferente — em geral, repetir o exame em um intervalo definido para verificar se a infecção foi eliminada naturalmente. A decisão final é sempre do médico que acompanha o caso, considerando idade, histórico e resultados anteriores.

A vacina protege contra o HPV 16 e o 18?

Sim. A vacina oferecida pelo SUS protege contra os subtipos 16 e 18, além dos subtipos 6 e 11, responsáveis pela maior parte das verrugas genitais. É por isso que ela é considerada a principal ferramenta de prevenção primária do câncer de colo do útero, e não apenas uma proteção contra verrugas.

A vacina previne novas infecções, mas não trata uma infecção que já existe. Ainda assim, vacinar-se depois de um resultado positivo continua fazendo sentido: a proteção vale para os subtipos aos quais a pessoa ainda não foi exposta — e, com mais de 200 subtipos conhecidos, é pouco provável que alguém já tenha entrado em contato com todos.

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Dr. Luiz Teixeira da Silva Júnior, patologista clínico, de jaleco branco

Sobre o autor: é patologista clínico (CRM 276039/SP), graduado em Ciências Biomédicas, com pós-graduação em Captação, Doação e Transplante de Órgãos pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É autor do livro Saúde da Mulher, guia sobre HPV baseado em fontes científicas como BIREME, LILACS e SciELO.

Este artigo é um resumo. O livro Saúde da Mulher aprofunda cada um desses temas — transmissão, prevenção, vacina e tratamento — em linguagem acessível.

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Perguntas frequentes

HPV 16 ou 18 significa que vou ter câncer?

Não. Significa que a infecção é por um subtipo de alto risco e merece acompanhamento mais próximo. A maioria das infecções, inclusive pelos subtipos 16 e 18, é eliminada pelo próprio organismo. O risco está na persistência ao longo de anos, não na presença do vírus hoje.

HPV 16 e 18 causam verrugas?

Raramente. As verrugas genitais são causadas principalmente pelos subtipos de baixo risco 6 e 11. Os subtipos 16 e 18 costumam ser silenciosos, sem sinal visível — o que só reforça a importância do rastreamento periódico.

A vacina do SUS cobre o HPV 16 e 18?

Sim. A vacina disponível no SUS protege contra os subtipos 16 e 18, de alto risco, e também contra o 6 e o 11, associados às verrugas genitais.

Se eu tenho HPV 16, meu parceiro também tem?

Não necessariamente. A transmissão é possível, mas nem toda pessoa exposta se infecta, e muitas eliminam o vírus sem nunca saber que o tiveram. Também não é possível determinar quando ou por meio de quem a infecção foi adquirida, porque o vírus pode ficar latente por anos.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — HPV e câncer: perguntas mais frequentes. gov.br/inca
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS) — Human papillomavirus and cancer. who.int
  3. Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação e prevenção ao câncer do colo do útero. gov.br/saude
  4. Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.

Última revisão de conteúdo: 09/08/2026.