Biópsia do colo do útero: quando é indicada e como é feita

A biópsia do colo do útero é indicada quando o Papanicolau ou a colposcopia mostram uma alteração suspeita. O médico remove uma pequena amostra de tecido — geralmente durante a própria colposcopia — para que ela seja analisada ao microscópio e confirme (ou descarte) a presença de uma lesão.

Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.

Quando o médico pede uma biópsia

A biópsia do colo do útero não é o primeiro exame diante de uma alteração: ela costuma ser pedida quando o Papanicolau vem alterado, quando a colposcopia identifica uma área de aspecto suspeito, ou quando há sintomas como sangramento fora do período menstrual. Alterações mais discretas são normalmente acompanhadas antes de qualquer procedimento:

Nem toda alteração leva direto à biópsia: alterações mais discretas costumam ser acompanhadas primeiro com repetição de exames, antes de qualquer procedimento invasivo.

Como é feito o procedimento da biópsia?

A biópsia é feita durante a própria colposcopia: o médico localiza a área alterada com o colposcópio e aplica anestesia local quando necessário. Em seguida retira uma pequena porção de tecido com uma pinça específica, que segue para o laboratório de patologia. Costuma durar poucos minutos, no próprio consultório e sem internação.

  1. Você se posiciona na maca ginecológica, da mesma forma que em um exame de rotina.
  2. O médico realiza a colposcopia, usando um aparelho (colposcópio) que amplia a visualização do colo do útero e ajuda a identificar exatamente a área alterada.
  3. Quando necessário, é aplicada anestesia local na região.
  4. Com uma pinça específica de biópsia, o médico remove uma pequena porção de tecido da área identificada.
  5. A amostra é enviada para análise em laboratório de patologia.

O procedimento costuma durar poucos minutos e, na maioria dos casos, é feito no próprio consultório, sem necessidade de internação.

Dói? Preciso de anestesia?

A maioria das mulheres relata um desconforto leve, comparável a uma cólica menstrual, durante a retirada da amostra — não uma dor intensa. Dependendo do caso e da sensibilidade da paciente, o médico pode optar por aplicar anestesia local antes do procedimento.

O que o resultado da biópsia pode mostrar?

O laudo da biópsia classifica o tecido analisado. Ele pode vir normal, indicar uma NIC 1, 2 ou 3 — os diferentes graus de lesão pré-cancerígena — ou apontar outras alterações, como sinais de infecção por HPV sem lesão associada. Cada um desses resultados tem uma conduta própria:

Os resultados possíveis do laudo e o que costuma vir depois de cada um
Resultado do laudoO que significaConduta habitual
NormalNenhuma alteração encontrada nas células analisadasRetorno à rotina de rastreamento
NIC 1Lesão pré-cancerígena de baixo grauCostuma regredir sozinha — acompanhamento periódico
NIC 2 ou NIC 3Lesão pré-cancerígena de alto grauGeralmente procedimento para remover a área alterada
Outras alteraçõesSinais de infecção por HPV sem lesão pré-cancerígena, ou, em casos raros, alterações mais avançadasDepende do achado — pode exigir investigação adicional

Cada grau de NIC tem uma conduta própria, explicada em detalhe no artigo sobre NIC 1, 2 e 3.

O resultado sempre deve ser interpretado pelo médico junto com o histórico da paciente e os outros exames. É essa leitura em conjunto que define a conduta, que vai do simples acompanhamento periódico a um procedimento para remover a área alterada.

Cuidados após o exame

É comum apresentar um pequeno sangramento ou corrimento escurecido nos dias seguintes — considerado normal. Costuma-se recomendar evitar relações sexuais, duchas vaginais e uso de absorventes internos por alguns dias, conforme orientação do médico que realizou o procedimento.

Quando procurar um médico

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Dr. Luiz Teixeira da Silva Júnior, patologista clínico, de jaleco branco

Sobre o autor: é patologista clínico (CRM 276039/SP), graduado em Ciências Biomédicas, com pós-graduação em Captação, Doação e Transplante de Órgãos pelo Hospital Israelita Albert Einstein. É autor do livro Saúde da Mulher, guia sobre HPV baseado em fontes científicas como BIREME, LILACS e SciELO.

Este artigo é um resumo. O livro Saúde da Mulher aprofunda cada um desses temas — transmissão, prevenção, vacina e tratamento — em linguagem acessível.

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Perguntas frequentes

Biópsia do colo do útero dói?

A maioria das mulheres relata desconforto leve, semelhante a uma cólica, e não dor intensa. Em alguns casos o médico aplica anestesia local antes do procedimento, que costuma durar poucos minutos.

Toda alteração no Papanicolau exige biópsia?

Não. Alterações leves costumam ser acompanhadas com repetição do exame ou colposcopia primeiro. A biópsia é indicada quando a colposcopia identifica uma área suspeita que precisa ser confirmada ao microscópio.

Quanto tempo demora o resultado da biópsia?

Costuma variar entre poucos dias e cerca de duas semanas, dependendo do laboratório de patologia responsável pela análise da amostra.

A biópsia pode causar sangramento?

É comum um pequeno sangramento ou corrimento escurecido nos dias seguintes ao procedimento — é considerado normal. Sangramento intenso ou prolongado deve ser avaliado pelo médico.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Dados e números sobre câncer do colo do útero. inca.gov.br
  2. Ministério da Saúde — Prevenção ao câncer do colo do útero. bvsms.saude.gov.br
  3. Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.

Última revisão de conteúdo: 08/08/2026.