CAF e conização: como é o tratamento de lesões de alto grau
Quando a biópsia confirma uma lesão de alto grau (NIC 2 ou NIC 3), o tratamento habitual é remover a área alterada do colo do útero. A técnica mais usada hoje é a CAF — cirurgia de alta frequência, também chamada de LEEP ou exérese da zona de transformação —, feita em consultório com anestesia local e alta no mesmo dia.
Conteúdo em revisão médica — texto elaborado com base nas fontes científicas citadas ao final, aguardando validação clínica final do autor. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.
Quando a CAF ou a conização são indicadas?
A remoção da área alterada é indicada quando a biópsia confirma uma lesão de alto grau: NIC 2 ou NIC 3, que no laudo do Papanicolau aparecem como HSIL. Lesões de baixo grau (NIC 1) normalmente não são operadas — costumam regredir sozinhas e são apenas acompanhadas com exames periódicos.
O objetivo do procedimento é retirar a lesão enquanto ela ainda é pré-cancerígena, interrompendo um processo que, sem tratamento, poderia evoluir ao longo de anos. Tratadas nessa fase, essas lesões têm alta taxa de resolução.
Como é feita a CAF (cirurgia de alta frequência)?
Na CAF, o médico usa uma alça de fio metálico fino, aquecida por corrente elétrica de alta frequência, para retirar a área alterada do colo do útero. O procedimento é feito com a paciente na posição do exame ginecológico, com anestesia local aplicada no próprio colo, e costuma durar poucos minutos. Na maioria dos casos, é realizado em consultório ou ambulatório, com alta no mesmo dia.
A mesma técnica aparece na literatura e nos laudos com outros nomes — LEEP, EZT ou exérese da zona de transformação. São sinônimos do mesmo procedimento, o que costuma gerar confusão quando a paciente compara o que ouviu na consulta com o que está escrito no papel.
Qual a diferença entre CAF e conização clássica?
As duas removem um fragmento em formato de cone do colo do útero; a diferença está no instrumento e no contexto. A CAF usa a alça elétrica e é feita com anestesia local, em ambulatório. A conização clássica, ou conização a frio, usa bisturi e costuma ser feita em centro cirúrgico, com anestesia regional ou geral, reservada para situações específicas.
| CAF (alta frequência) | Conização a frio | |
|---|---|---|
| Instrumento | Alça elétrica de fio fino | Bisturi |
| Anestesia | Local, no próprio colo | Regional ou geral |
| Onde é feita | Consultório ou ambulatório, com alta no mesmo dia | Centro cirúrgico |
| Quando é preferida | Maioria das lesões de alto grau | Casos que exigem margens sem efeito do calor ou investigação mais ampla do canal |
Na prática, a CAF é a escolha na maior parte dos casos justamente por ser mais simples para a paciente. A indicação de uma ou de outra é do médico que acompanha o caso, a partir do laudo e da localização da lesão.
O que acontece com o tecido retirado?
Todo o fragmento removido é enviado ao laboratório de patologia, e essa etapa é parte do tratamento — não apenas uma formalidade. É o exame do tecido ao microscópio que confirma o grau real da lesão e, principalmente, avalia as margens: se a área alterada foi retirada por inteiro ou se alcançou a borda do fragmento.
Margens livres indicam que a lesão foi removida completamente. Margens comprometidas não significam necessariamente que a lesão continua ali, mas pedem acompanhamento mais próximo e, em alguns casos, um novo procedimento. Esse laudo é o que orienta toda a conduta seguinte.
Como é a recuperação depois da CAF?
A recuperação costuma ser tranquila e sem necessidade de afastamento prolongado. Nos primeiros dias é comum haver cólica leve, além de um corrimento escurecido ou com sangramento discreto, que pode durar algumas semanas enquanto o colo cicatriza.
- Evitar relações sexuais pelo período orientado pelo médico, geralmente algumas semanas
- Não usar absorvente interno nem fazer duchas vaginais durante a cicatrização
- Evitar esforço físico intenso e natação nos primeiros dias
- Procurar atendimento diante de sangramento intenso, febre ou corrimento com odor forte
As orientações específicas são sempre do médico que realizou o procedimento, porque variam conforme a extensão do que foi retirado.
O acompanhamento continua depois do tratamento?
Sim, e essa é a parte que costuma ser subestimada. Remover a lesão não elimina o HPV do organismo: o vírus pode continuar presente, e por isso existe a possibilidade de uma nova lesão surgir. O acompanhamento com Papanicolau e, quando indicado, teste de HPV e colposcopia, em intervalos definidos pelo médico, é o que confirma que a infecção foi de fato controlada.
Quando procurar um médico
- Ao receber um laudo de biópsia com NIC 2 ou NIC 3, para discutir a indicação do procedimento
- Para entender o resultado das margens no laudo do material retirado
- Diante de sangramento intenso, febre ou dor forte depois do procedimento
- Para manter o acompanhamento periódico após o tratamento, mesmo sem sintomas
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CAF e conização são a mesma coisa?
São procedimentos com o mesmo objetivo — remover a área alterada do colo do útero — mas com técnicas diferentes. A CAF usa uma alça elétrica, com anestesia local e alta no mesmo dia. A conização clássica usa bisturi e costuma ser feita em centro cirúrgico, reservada a casos específicos.
A CAF dói?
O procedimento é feito com anestesia local aplicada no próprio colo do útero, e a maioria das pacientes relata desconforto comparável a uma cólica, não dor intensa. Nos dias seguintes é comum sentir cólica leve enquanto a região cicatriza.
Depois da CAF ainda posso engravidar?
Na maioria dos casos, sim. O procedimento remove uma pequena porção do colo do útero e não impede a gravidez. Como a extensão do que é retirado varia, quem tem planos de engravidar deve conversar sobre isso com o médico antes do procedimento, para que ele seja considerado no planejamento.
O HPV some depois da CAF?
Não necessariamente. O procedimento remove a lesão, não o vírus — o HPV pode continuar presente no organismo até que o sistema imunológico o elimine. É por isso que o acompanhamento periódico depois do tratamento continua sendo necessário.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. gov.br/inca
- Ministério da Saúde — Controle dos cânceres do colo do útero e de mama: condutas diante de lesões precursoras. gov.br/saude
- Base bibliográfica científica de referência para o conteúdo deste artigo e do livro Saúde da Mulher: BIREME, LILACS e SciELO.
Última revisão de conteúdo: 09/08/2026.